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terça-feira, 23 de abril de 2013

Como fui alfabetizado





Nos meus primeiros anos de vida às vezes via em casa, algumas revistas, um ou dois cadernos usados, um hinário velho e uma Bíblia. As revistas eram lidas pelo meu pai e pelo meu irmão Jéferson. Os cadernos eram usados pela minha mãe e minhas irmãs, para fazerem algumas anotações, que eu nunca soube do que se tratavam. O hinário velho era utilizado pela minha mãe, para cantar alguns hinos. A Bíblia, só meu pai colocava as mãos. Livro Sagrado que aos filhos e muito menos às crianças não era permitido nem tocar.

Aos cinco anos de idade, minha irmã Anália, por sugestão da minha mãe, me arrumou um caderno novinho, um lápis, uma tampa de vidro de remédio que servia como borracha e começou a me alfabetizar, em companhia de minha irmã Fátima, três anos mais velha que eu. Esta minha irmã já havia frequentado as classes de meu pai anteriormente quando era professor, cinco anos antes. Juntavam-se a nós, os vizinhos Roosevelt e Adão, dois irmãos que compunham aquela pequena classe de quatro pessoas.

Não me lembro por quanto tempo aquele “projeto” durou, mas sei que foi o suficiente para eu conhecer todas as letras do alfabeto, as sílabas e formar algumas palavras. Com as aulas da minha irmã, tive o meu primeiro contato com a leitura e escrita. Não lia fluentemente ainda, o que só aconteceu aos oito anos, quando adquiri a minha primeira Bíblia e comecei a usar o hinário de minha mãe. Aí me aperfeiçoei na leitura e comecei a praticar a escrita, quando entrei  na escola, quase aos nove anos de idade.

Carlos - D. E. Mauá

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