Nos meus primeiros anos de vida às
vezes via em casa, algumas revistas, um ou dois cadernos usados, um hinário
velho e uma Bíblia. As revistas eram lidas pelo meu pai e pelo meu irmão
Jéferson. Os cadernos eram usados pela minha mãe e minhas irmãs, para fazerem
algumas anotações, que eu nunca soube do que se tratavam. O hinário velho era
utilizado pela minha mãe, para cantar alguns hinos. A Bíblia, só meu pai
colocava as mãos. Livro Sagrado que aos filhos e muito menos às crianças não
era permitido nem tocar.
Aos cinco anos de idade, minha irmã
Anália, por sugestão da minha mãe, me arrumou um caderno novinho, um lápis, uma
tampa de vidro de remédio que servia como borracha e começou a me alfabetizar,
em companhia de minha irmã Fátima, três anos mais velha que eu. Esta minha irmã
já havia frequentado as classes de meu pai anteriormente quando era professor,
cinco anos antes. Juntavam-se a nós, os vizinhos Roosevelt e Adão, dois irmãos
que compunham aquela pequena classe de quatro pessoas.
Não me lembro por quanto tempo aquele
“projeto” durou, mas sei que foi o suficiente para eu conhecer todas as letras
do alfabeto, as sílabas e formar algumas palavras. Com as aulas da minha irmã,
tive o meu primeiro contato com a leitura e escrita. Não lia fluentemente
ainda, o que só aconteceu aos oito anos, quando adquiri a minha primeira Bíblia
e comecei a usar o hinário de minha mãe. Aí me aperfeiçoei na leitura e comecei
a praticar a escrita, quando entrei na
escola, quase aos nove anos de idade.
Carlos - D. E. Mauá






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