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terça-feira, 23 de abril de 2013

O dia em que desisti de escrever – Carlos – D. E. Mauá




Quando eu estava no 7º  ano do Ensino Fundamental  a professora Isaura, de Língua Portuguesa nos solicitava uma redação todas as semanas. O interessante era que apesar da redação valer de 0 a 10, todos nós, éramos avaliados com nota 6,0.
Embora alguns duvidassem  que ela as lesse..  um dia,  comprovei que havia lido ao menos a minha redação.
Quando me devolveu com a nota 6,0 percebi que havia uma observação: “ISTO É CÓPIA!” Incomodado com aquilo, me dirigi a ela para contestar. Ela me respondeu com um ar sarcástico que eu havia copiado aquele texto de alguma revista, jornal... e acrescentou que eu não teria “capacidade para escrever algo assim, pois estava muito bem feito.”
Respondi-lhe que se ela estava certa de que era cópia, eu queria nota zero e não seis. No entanto, como eu tinha absoluta certeza que não havia copiado de lugar algum, gostaria de receber nota 10,0, pois segundo a professora, “estava muito bem escrito.” Ela apenas sorriu ironicamente, mas não respondeu absolutamente nada.
Depois daquela ocasião eu decidi não mais “caprichar” nas minhas redações, por dois motivos óbvios: escrevesse como escrevesse, minha nota seria 6,0; e se fosse uma redação muito bem feita eu seria acusado de plagio.
Foi uma experiência muito ruim para um pré-adolescente.  Naquela época, eu que já escrevia poesias, jograis, peças, perdi a vontade de continuar escrevendo.
Mas, ao longo do tempo consegui superar o “trauma” das letras com a inserção dos números. Graças à profª Isaura, hoje sou um matemático que gosta de escrever e não um escritor que gosta de contar.
Onze anos mais tarde me encontrei com a professora Isaura. Conversamos um pouco e em seguida, puxei na sua memória o fato do “Isto é cópia”. E acrescentei: Hoje também sou professor e compreendo muito bem o que se passa na cabeça de um aluno quando duvidamos de sua competência escritora e não fazemos bom juízo de suas ações.  Isaura olhou para mim e deve ter pensado: “continua  chato...” e vi estampado no seu rosto, o mesmo sorriso irônico de outrora.

Carlos

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