Quando eu estava no 7º ano do Ensino Fundamental a professora Isaura, de Língua Portuguesa nos
solicitava uma redação todas as semanas. O interessante era que apesar da
redação valer de 0 a 10, todos nós, éramos avaliados com nota 6,0.
Embora alguns duvidassem que ela as lesse.. um dia, comprovei que havia lido ao menos a minha
redação.
Quando me devolveu com a nota 6,0
percebi que havia uma observação: “ISTO É CÓPIA!” Incomodado com aquilo, me
dirigi a ela para contestar. Ela me respondeu com um ar sarcástico que eu havia
copiado aquele texto de alguma revista, jornal... e acrescentou que eu não
teria “capacidade para escrever algo assim, pois estava muito bem feito.”
Respondi-lhe que se ela estava certa
de que era cópia, eu queria nota zero e não seis. No entanto, como eu tinha
absoluta certeza que não havia copiado de lugar algum, gostaria de receber nota
10,0, pois segundo a professora, “estava muito bem escrito.” Ela apenas sorriu
ironicamente, mas não respondeu absolutamente nada.
Depois daquela ocasião eu decidi não mais “caprichar” nas minhas redações, por dois motivos óbvios: escrevesse
como escrevesse, minha nota seria 6,0; e se fosse uma redação muito bem feita
eu seria acusado de plagio.
Foi uma experiência muito ruim para
um pré-adolescente. Naquela época, eu
que já escrevia poesias, jograis, peças, perdi a vontade de continuar
escrevendo.
Mas, ao longo do tempo consegui
superar o “trauma” das letras com a inserção dos números. Graças à profª
Isaura, hoje sou um matemático que gosta de escrever e não um escritor que
gosta de contar.
Onze anos mais tarde me encontrei com
a professora Isaura. Conversamos um pouco e em seguida, puxei na sua memória o
fato do “Isto é cópia”. E acrescentei: Hoje também sou professor e compreendo
muito bem o que se passa na cabeça de um aluno quando duvidamos de sua
competência escritora e não fazemos bom juízo de suas ações. Isaura olhou para mim e deve ter pensado: “continua chato...” e vi estampado no seu rosto, o
mesmo sorriso irônico de outrora.
Carlos






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